domingo, 8 de agosto de 2010

A Origem

A preguiça impediu a postagem durante alguns dias. Porém, assistir “A Origem” e não registrar a forma com que eu fiquei maravilhada ao sair do cinema seria um desperdício de ingresso. Então, vamos ao que interessa, pois é muito para falar.



Bom, Christopher Nolan sempre me surpreende em todos os seus filmes. Quem não assistiu "O Grande truque" e ficou surpreso até os minutos finais do filme? Ou em "Batman e o cavaleiro das trevas"- no qual quando você pensa que o filme acabou surge mais um vilão para incrementar a história? - É dessa forma que são os filmes marcantes de Nolan, "Insônia" "Amnésia" e "Batman Begins". Sendo assim, “A Origem” eu diria que é a obra-prima do diretor.

O filme não é mais uma historinha que envolve o destino da humanidade ou a obsessão e ambição do ser humano. Entretanto, a complexidade da mente humana – a qual é relatada no filme - não é uma novidade nas telas, já que foi utilizada como ficção científica em Matrix. O diretor usa o subconsciente humano como pano de fundo para sua história: uma máquina que permite com que os personagens entrem nos sonhos. Nessa invasão dá até para ousar e plantar uma idéia na mente humana ao invadir o mais obscuro subconsciente que no filme representa os profundos segredos do sonhador guardado em cofres e fortalezas.

Leonardo DiCaprio interpreta, mais uma vez, um personagem com uma história perturbada em relação à sua vida familiar e, por isso, atrapalha a missão proposta por Saito, personagem de Ken Watanabe. O plano consiste em plantar uma idéia no empresário Robert Fischer Jr. (Cillian Murphy), mas antes é preciso entrar na camada mais profunda dos sonhos (sonho dentro de um sonho dentro do outro sonho, entendeu?) com o auxílio de um poderoso sedativo para a realização do plano.

Para explicar aos espectadores o funcionamento desse processo, temos Ellen Page como Ariadne, a arquiteta dos layouts dos sonhos, que vai usar a sua curiosidade para fazer as perguntas que nós, que estamos assistindo, gostaríamos de fazer no decorrer do filme. Desse modo, contribuindo para a explicação, temos Joseph Gordon-Levitt como Arthur respondendo às perguntas de Ariadne. Marion Cortillard aparece no filme como Mal, a vilã da história e esposa de Dom (Di Caprio) sempre com aparições, as quais estragam os sonhos construídos. Tom Hardy e Michael Caine (o queridinho de Nolan) aparecem como elenco de apoio.

Imagino o quão difícil deve ter sido trabalhar 3 realidades ao mesmo tempo, sendo que uma ação em um plano interfere no outro. Isso no filme é mostrado com ajuda de efeitos especiais estratégicos no tempo certo e uso da câmera lenta que faz a queda em segundos de um carro tirar o fôlego do telespectador e parecer uma eternidade.

A primeira cena do filme ganha sentido no final e desde o primeiro momento Nolan faz com que o espectador não pisque os olhos até os segundos finais do filme. Será que o peão pára de rodar?

Se foi sonho ou realidade não saberemos. Entretanto sabemos que Nolan se supera ao fazer com o simples ou com o que não era mais novidade algo complexo e genioso. Um filme que não é um passatempo para dias chuvosos ou algo para encher lingüiça.